A NBA passa por uma grande crise. No dia 1º de Julho, os jogadores entraram em greve após o sindicato dos atletas e os donos das franquias dos clubes não chegarem a um acordo de contrato coletivo. Os clubes, representados por David Stern, reclamam que sofrem prejuízo financeiro e pedem para baixar a participação dos jogadores nos lucros gerados pela marca NBA para 47%. O sindicato, liderado por Derek Fisher, do Los Angeles Lakers, não aceita menos de 53 % de participação.
Essa e outras questões impediram um acordo, mesmo após uma série de reuniões, o que levou aos jogadores resolverem dissolver o sindicato e processar a liga. Este fato diminui ainda mais a chance dos lados chegarem a um acordo e com grande chance de toda a temporada da liga norte-americana ser cancelada.
Mas e o Brasil? Pode passar por uma situação parecida? Após a briga com torcedores que o volante João Vitor se envolveu, os sindicatos dos jogadores de São Paulo também cogitou entrar em greve contra a violência no futebol.
Aqui no Brasil, eu vejo dois fatores que poderiam realmente desencadear uma crise no futebol em proporções similares (apesar de mesmo assim eu não acredito que chegaria a uma greve que coloque em risco a maior parte da temporada): Crise financeira e explosão da violência.
No caso da crise econômica, os responsáveis por iniciar uma crise no futebol seriam a má administração dos clubes aliado a uma possível hiper-valorização dos salários dos jogadores.
Em relação à hiper-valorização dos salários dos jogadores, com o passar do tempo (e com mais destaques principalmente desde a década de 90) os valores dos salários dos jogadores de futebol cresceu muito, chegando ao ponto dos principais destaques dos clubes receberem valores de até três milhões de reais por mês (valor especulado do salário do Neymar após o novo contrato) e outros jogadores que são apenas reservas ganham mais de 100 mil reais. E esses valores podem aumentar, Corinthians e Flamengo recebem um valor maior no contrato de transmissão da TV e, com isto, tem mais recursos para contratar jogadores e pagar salários maiores. Isto pode criar um circulo vicioso, onde os outros clubes precisam investir altos valores para disputarem os jogadores com Flamengo e Corinthians e, conseqüentemente, pagando valores que acumulados se tornam insustentáveis em longo prazo.
Com o tempo, Flamengo e Corinthians também entrariam neste circulo vicioso, pagando valores que não tem condições de pagar. Se os clubes entrarem nesta situação, as receitas atuais geradas por marketing, cota da televisão e outros rendimentos podem não ser suficientes e então aumentar as já grandes dívidas dos clubes e atrasos no pagamento dos salários.
Esta é uma possibilidade negativa extrema da situação do futebol brasileiro, mas possível. Contudo, ela pode ser evitada pelos clubes através de ações para aumentar a receita (ações de marketing, parcerias/patrocínios, etc), mas também com o controle dos gastos, buscando negociar salários que realmente possam pagar (e nisso os próprios atletas também precisam aceitar salários menores, mas que recebem em dia), evitar gastos desnecessários ou acima da média, planejamento do orçamento, etc. Contudo, se os clubes deixarem o aumento da cotas os cegarem e se perderem no controle do gasto e do orçamento, este seria uma motivo para gerar uma crise parecida com a da NBA
No próximo texto, abordarei a violência no futebol brasileiro.
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